Estudo - A essencia do discipulado
Introdução
O assunto “discipulado” nesse tema é para reforçar a necessidade de sua prática na vida da Igreja, quanto para apontar os problemas e desvios que infelizmente, surgiram ao longo da história do povo de Deus devido à compreensão equivocada acerca dos princípios bíblicos envolvidos.
No entanto, a ordem do Senhor Jesus foi: “Ide e fazei discípulos”, então, permanecer a mesma desde o dia em que Ele indicou esse caminho a seus primeiros seguidores. Isso exige de nós, seus servos, uma atitude idêntica a que tiveram os irmãos na Igreja Primitiva.
A palavra “discípulo” aparece centenas de vezes no Novo Testamento, onde é usada para descrever os seguidores de Jesus com muito mais freqüência do que “cristão” ou “crente”. Conforme dicionário Bíblico Almeida “Um discípulo é uma pessoa que segue os ensinamentos de um mestre” [1]. Visto que o mestre dos cristões é o próprio Jesus, o verdadeiro discípulo aprende e segue a vontade do Filho de Deus. Mas será que todos que se dizem cristões são verdadeiros discípulos do Senhor? Ao invés de olhar para os outros e criticar hipócritas, vamos examinar as nossas próprias atitudes e ações para ver ser realmente somos discípulos de Jesus.
Através dos conhecimentos adquiridos pelo o estudo da Palavra, é indispensável à direção e o auxilio do Senhor com o Seu Espírito Santo. Será abordado neste estudo, a essência do discipulado como: os princípios (rudimentos, primeiras noções), ação (ato ou efeito de agir), valores (reconhecer as qualidades, méritos) e atitudes (postura; reação ou maneira de ser, em relação as pessoas)
O objetivo desse estudo é apresentar o discipulado, de forma simples e clara, como um estilo de vida que deve ser praticado por todo aquele que se dispõe a seguir Jesus. Em linhas gerais, não se trata de um manual, mas sim um enunciado de princípios sobre discipulado, que é tema fundamental na vida da Igreja.
1.A ESSENCIA DO DISCIPULADO
Discípulo é aquele que, com um mestre, aprende alguma ciência ou arte, dele recebe os conhecimentos de uma doutrina, etc. Os que seguem, adotam certos princípios, sentimentos, idéias, e por eles atua, ainda que não conheça o seu autor: Seguidor, partidário, sectário: os discípulos de Platão.
Jesus define seus Discípulos: os evangelhos chamam discípulos aqueles que seguiam de perto a Cristo: em primeiro lugar os 12 apóstolos; em Lc 10.1: “E depois, designou o Senhor ainda outros setenta e mandou-os adiante da sua face, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir[2]”. Em sentido geral, também eram chamados discípulos os que acreditavam em Cristo e se propunham seguir sua doutrina, instruídos por ele ou pelos apóstolos e evangelistas.
Três relatos do evangelho incluem as palavras desafiadoras do Cristo Lc 9.23; Mt 16.24 e Mc 8.34 “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me”[3]. Encontramos aqui três elementos essenciais do verdadeiro discipulado, que apresentam desafios enormes:
- Negar a si mesmo: enquanto o mundo e muitas religiões começam com egoísmo do homem, Jesus exige a auto negação. As Igrejas dos homens convidam as pessoas a realizar seus sonhos de riqueza, felicidade sentimental e posições de honra, mas a mensagem do Senhor é outra. Ele pede que a pessoa negue os seus próprios desejos para fazer a vontade Dele.
- Tomar a sua própria cruz: Jesus veio para oferecer a vida, mas o caminho para a vida passa pelo vale da morte. Não somente a morte do Cristo, mas a nossa também. Paulo disse em Gl. 2.19-20 “estou crucificado com Cristo; logo, já não sou mais eu quem vive, mas Cristo vive em mim”.
- Seguir a Jesus: varias religiões e filosofias exigem sacrifícios e auto negação. Algumas ensinam “preceitos e doutrinas dos homens” e “rigor ascético” que proíbem coisas que Jesus não proíbe (Colossenses 2.20-23). O beneficio não vem de auto negação em si, ou simplesmente de tomar qualquer cruz. Jesus é o único caminho que leva à vida eterna (Atos 4.12).
2.PRINCIPIOS, VALORES, AÇÕES E ATITUDES
2.1. Seguir a Jesus, não aos homens: Lealdade
A relação de discípulos e mestre tem sido explorada por homens em muitos movimentos religiosos. O raciocínio é relativamente simples. Tirando alguns versículos do contexto e torcendo um pouquinho o sentido de outros, é fácil ensinar aos adeptos a necessidade de submissão quase absoluta aos homens. Considere esta abordagem: “o discípulo não está acima do seu mestre...basta ao discípulo ser como o seu mestre.[4]..(Mt.10.24-25).Alguns homens na Igreja são chamados “mestres” (Atos.13.1; Efesios 4.11; Hebeus 5.12; Tiago 3.1). Portanto utilizar tais versículos, torna-se fácil obrigar os mais novos na fé a seguir quase que cegamente a liderança de homens supostamente espirituais, ou seja, não devemos ser guiados por um “mestre” ou “discipulador”, em hierarquia de autoridade humana ou autoridade excessiva em homens. Conforme Hebreus 13.17, devemos obedecer nossos pastores que tem responsabilidade de cuidar e presidir ou liderar Igreja e tem o papel de não ditar regras, pelo contrario, mostram como seguir as regras do Supremo Pastor Jesus Cristo. Todos os cristões devem lembrar que temos um só mestre, e que todos nós somos irmãos (Mt.23.8).
2.2.Assumir compromisso com Jesus: Conversão
Ser discípulo de Jesus exige um compromisso sério com ele. Em Mateus 28.18-20, Jesus destaca dois aspectos deste compromisso: Batismo para entrar em comunhão com Deus (Atos 22.16; Gálatas 3.27; Romanos 6.3-7) e obediência absoluta aos ensinamentos de Jesus, onde para seguir-lo, o primeiro passo é obedecer a palavra Dele, para sermos discípulos verdadeiros, temos de apresentar os nossos corpos como sacrifícios a Ele, sendo transformados e renovados pela palavra do Senhor (Rm. 12.1-2).
2.3. Imitar o caráter do Cristo: Proceder
Uma vez reconhecemos Jesus como nosso Mestre, devemos aprender das palavras e do exemplo Dele. Um dos propósitos da vinda Dele à terra é apresentado em 1Pedro 2.21-22 “...Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguidores os seus passos, o qual não cometeu pecado...”
Como discípulos do perfeito Mestre, devemos nos esforçar para desenvolver o caráter Dele, pensar como Ele e agir como Ele agiria, como isso, tornando-nos “co-participantes da natureza divina” (2Pe. 1.4).
2.4.Respeitar a autoridade do Mestre: Obediência
O entendimento da relação do discípulo com o Mestre naturalmente criará em nós um respeito profundo pela vontade do Senhor. Enquanto outros defendem muitas práticas erradas, dizendo que Deus não as proibiu, o discípulo fiel examina com mais cuidado e percebe que a Bíblia não é um livro de proibição e, sim, de permissão. Ao invés de tentar justificar a sua própria vontade, o seguidor de Jesus se limita às coisas que Deus permite as coisas autorizadas nas Escrituras, veremos que com o estudo da Palavra não podemos ultrapassar o que Deus revelou, pois tal abordagem aumenta a arrogância ao invés de demonstrar a humildade de servos do Senhor (1Co. 4.6).
Pessoas egoístas seguirão a sua própria sabedoria e dirão que têm liberdade para tratar a Bíblia como uma mensagem dinâmica que se adapta à circunstância atual (Provérbios 14.12; Jeremias 10.23; 1Samuel 13.12). Mas as pessoas espirituais mostrarão respeito maior para com Deus, sabendo que Ele é perfeito e capaz de revelar sua vontade aos homens e habilitá-los para toda boa obra. O servo fiel entende que o Mestre Jesus recebeu autoridade para mudar a lei, fazendo o que não fora autorizado anteriormente (Hebreus 7.11-14). Mas o discípulo humilde jamais ousaria mudar a lei ou ultrapassar o ensinamento de Jesus (2Jo. 9).
2.5.Buscar a Unidade que Jesus pede: Cooperação
Jesus quer a unidade dos seus discípulos (Jo.17.20-23). Esta cooperação não vem por estaturas e regras humanas, e sim por amor a Deus. Homens podem forçar uma conformidade superficial por regras e sistemas de organização e controle, mas Deus trabalha de outra forma. Ele confia na sua palavra para criar a unidade que ele quer (1Co.1.10). Se cada discípulo continua se aproximando do Senhor, naturalmente estará se unindo cada vez mais aos outros discípulos verdadeiros. Cristões se reunindo em congregações locais edificam e encorajam um ao outros (Efésios 4.16; Hebreus 10.23-25).
2.6.Produzir Fruto: Perseverança e Crescimento
O discípulo de Jesus produz fruto (Jo. 15.8). Pelo fato que aceitara a palavra de bem e reto coração, e desenvolve a sua fé com perseverança, ele se torna frutífero (Lc. 8.15). O discípulo produz fruto pelas boas obras que faz (Tito 3.14; Efésios 2.10). Produzimos fruto quando obedecemos ao nosso Senhor (Lc. 6.46), progredindo com perseverança (Hebreus 12.1)
ConCLUSÃO
O discípulo deve crer na misericórdia infinita de Deus. Sem essa confiança no Divino Poder do amor nada conseguirá na escalada evolutiva, porque sempre estará defendendo os seus interesses particulares em detrimento dos interesses do Criador.
Reconhecendo o amor de Jesus para conosco, livremo-nos dos sistemas de domínio inventados por homens que querem liderar seus próprios discípulos. Porém, esta liberdade não nos deixa sem responsabilidade de servir. O verdadeiro discípulo de Jesus fará sempre a vontade do Bom Mestre.
Seguir a Jesus é um desafio difícil e exigente. Só uns poucos querem fazer o esforço para serem verdadeiramente discípulos de Cristo.
A Igreja deve se caracterizar como a comunidade dos discípulos de Jesus. Mas, infelizmente, perdemos grandemente a dimensão e a profundidade do discípulo na vida da maior parte das nossas Igrejas. Infelizmente, em muitas comunidades de fé e para muitos cristãos, ser membro da igreja não significa necessária e obrigatoriamente ser discípulo de Jesus. Com certeza, ser membro da Igreja e ser discípulo de Jesus não está sendo a mesma coisa. Deveria, mas infelizmente não é. Tácito da Gama Leite tem um poema que nos ajuda a entender esta infeliz diferença. Ele diz:
Parece o mesmo, mas infelizmente não é
Há diferenças entre um membro da Igreja e um discípulo de Jesus!
O membro espera pães e peixes, o discípulo é pescador.
O membro luta por crescer, o discípulo se reproduz.
O membro vale porque soma, o discípulo vale porque multiplica.
O membro acha que o sermão deveria ser mais evangelístico, o discípulo prega o evangelho do Senhor Jesus Cristo.
O membro gosta de afago, o discípulo do serviço e do sacrifício pela causa de Cristo.
O membro se ganha, o discípulo se faz.
O membro entrega parte de seus desejos, o discípulo entrega toda sua vida.
O membro é contribuinte, o discípulo é dizimista e ofertante.
O membro espera que lhe apontem a tarefa, o discípulo toma a responsabilidade para si.
O membro quase sempre murmura e reclama, o discípulo é obediente e nega a si mesmo.
O membro reclama que o visitem, o discípulo visita.
O membro vê o problema, o discípulo ora pelo problema e busca ser parte da solução.
O membro sonha com a Igreja ideal. O discípulo se entrega para fazer a Igreja real.
O membro diz”Que bonito”, o discípulo diz: “Eis-me aqui, Senhor!”.
O membro deseja ter luz para enxergar o caminho, o discípulo é a luz do mundo.
O membro deseja uma Igreja vibrante, o discípulo é parte e promotor dela.
O membro da Igreja sabe que Deus está nele. O discípulo sabe que Deus está nele para o outro.
O membro é um soldado de defesa, o discípulo é um invasor da defesa inimiga.
O membro é condicionado pelas circunstâncias, o discípulo as aproveita para exercer a fé.
O membro solicita orações por suas necessidades, o discípulo tem uma vida de oração.
O membro deseja um culto mais envolvente, o discípulo adora a Jesus Cristo como Senhor.
O membro entende que a Igreja é a casa do Pai. O discípulo faz de sua casa um santuário de Deus e de sua vida um altar de adoração.
O membro está envolvido na “política eclesiástica”, o discípulo está envolvido com a Palavra de Deus.
O membro da Igreja é valioso, o discípulo de Jesus é indispensável.
O membro nem sempre é discípulo, mas o discípulo sempre é Igreja.
Bibliografia
ALLAN, Dennis; FISCHER, Gary. O verdadeiro discípulo de Jesus. Estudos Bíblicos. Karl Hennecke, USA, 2011. Disponível em: https://www.estudosdabiblia.net/d113.htm. Acesso em 11/Ago/2011.
BIBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Português. A Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição 1995. Barueri/SP. Sociedade Bíblica do Brasil, 2001.
COLLY, C.G..A essência do Discipulado. Estudos Bíblicos. Karl Hennecke, USA, 2011. Disponível em: https://www.estudosdabiblia.net/2001214.htm. Acesso em 11/Ago/2011.
Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Lisboa/Rio de Janeiro, Editorial Enciclopédia, s.d. p.
GREGORIO, S.B..Discípulos de Jesus. São Paulo. Abril de 2000. Disponível em:. https://www.ceismael.com.br/artigo/discipulos.htm. Acesso em 11/Ago/2011.
KASCHEL W., ZIMMER R. Dicionário da Bíblia Almeida. São Paulo, Editora SBB.
MACKENZIE, J. L. (S. J.) Dicionário Bíblico. São Paulo, Edições Paulinas, 1984.
UNGARETTI, E. V. Discipulado: Aspectos Práticos. Porto Alegre. 2003. 1ª. Edição. Adhonai.
[1] KASCHEL W., ZIMMER R. Dicionário da Bíblia Almeida. São Paulo, Editora SBB.
[2] BIBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Português. A Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição 1995. Barueri/SP. Sociedade Bíblica do Brasil, 2001.
[3] BIBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Português. A Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição 1995. Barueri/SP. Sociedade Bíblica do Brasil, 2001.
[4] BIBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Português. A Bíblia Sagrada. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição 1995. Barueri/SP. Sociedade Bíblica do Brasil, 2001.